Márcio-André
Publicado por Festival Internacional de Poesía de Córdoba 0 ComentarioMárcio André (Río de Janeiro, Brasil, 1978). Escritor, artista sonoro y visual. Su obra literaria y performática, traducida a otras lenguas, se estudia en EE.UU., Finlandia e Irán. Traductor de Ghérasim Luca, Gilles Ivain, Serge Pey, Mathieu Bénézet, Hagiwara Sakutaro y Forrest Gander. En 2008 recibió el premio de la Fundação Biblioteca Nacional, por los ensayos de Poética das Casas. Es también editor de Confraria do Vento (www.confrariadovento.com) y curador de Cidade a Travessa, evento literario y performático que tiene lugar en Lisboa, Río de Janeiro y San Pablo. Entre sus performances más recientes se cuentan Suspensión (España, 2011), Sound Poetry (Portugal, 2011), Multitubetextura (Portugal, Brasil y Perú, 2010), Indivisible: Poem-polyphony for voices, violin, electronic processing, bells and whistles (Reino Unido, Ucrania, Francia, 2009). Luego de su Conferência Poético-Radioativa (2007) en la ciudad fantasma de Chernobyl se ha convertido en “el primer poeta radiactivo del mundo”. Actualmente vive en Lisboa.
Joia
| abrir | o | mineral | tão | claro | dos | rostos |
| a | fractal | fruta | exata | em | ângulos | sonhados |
| pedra | tão | vértebra | quanto | água | nos | vértices |
| por | flor | adentro | corte | de | espelhos | decepando |
| tanto | quanto | joia | dado | assente | sorte | alguma |
| tão | sua | que | ao | esmalte | faz-se | outra |
| avessa | falha | desfolha | gume | florindo | única | face |
Baleia
aqui do estômago desta baleia
a cidade é um cardume cintilante
e
a estátua de drummond tem as costas ao oceano –
[as estátuas são para os homens não para o mar]
cultivar um peixe por dentro
para um dia comê-lo
esperando uma mulher surgir da precisão da ossada
um dia somos felizes em nosso jardim cetáceo
e ela caminha suavemente ao meu lado
sonhando o domingo mais triste do mundo no subúrbio do
lado de lá
um dia estamos na meia idade e bebemos porque não há opção
e o guindaste no cais estará esmagado como um inseto morto
diante das mil falhas na goela das águas
o mar está na foto dos homens não no sonho das estátuas
